Rota do artesanato: materiais que ganham outra vida e ganham a vida do talentoso povo de Sergipe

Rota do artesanato: materiais que ganham outra vida e ganham a vida do talentoso povo de Sergipe

Se você é do tipo que curte as artes, ao preparar o seu roteiro por Sergipe, chegue mais pra conhecer o artesanato que é uma marca do Estado e do seu povo. Entre as peças, você poderá ver verdadeiras preciosidades que representam a criatividade do artesão e a capacidade de inovar sem perder características tipicamente sergipanas!

A cerâmica de Santana do São Francisco, a 126 km da capital, reúne verdadeiras comunidades de artesãos. Na cerâmica figurativa, destacam-se Beto Pezão, natural de Santana de São Francisco, e Judite Santeira, de Estância. Na cestaria, herança indígena e africana, são confeccionados, entre outros, caçuás, balaios, cestas, bolsas, chapéus e esteiras.

Você deve estar se perguntando: e os bordados e rendas? Já que é neste setor que o artesanato sergipano ostenta grande produção!

A renda irlandesa, tombada como patrimônio nacional, tem destaque em Divina Pastora. As rendas de bilro são produzidas no sertão do Estado e o rendendê, em Japaratuba e Cedro de São João.

Mas, no geral, a capital Aracaju é o centro onde todas as peças podem ser encontradas e comercializadas. O artesanato sergipano é vendido em vários pontos da cidade: no Centro de Arte e Cultura J. Inácio, Orla de Atalaia; no Mercado Municipal, Centro Histórico; no Centro de Artesanato Chica Chaves, Orla do Bairro Industrial; no Centro de Turismo, Praça Olímpio Campos; nas feirinhas da Praça Tobias Barreto, aos domingos.

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Rendas e Bordados

Uma das maiores expressões do artesanato sergipano é renda irlandesa, que exige uma técnica de trabalho com as mãos, sempre cuidadosas, pacientes e atentas aos detalhes de cada peça. Originária da Itália, a renda teve sua tradição mantida nos conventos da Irlanda, de onde se difundiu para diversas partes do mundo, sendo desenvolvida com uma técnica única aqui no Estado.

Caracterizada pelo uso de lacê, um cordão sedoso manipulado atenciosamente com linha e agulha, a renda ganhou destaque nacional pela sua delicadeza, sofisticação e beleza, e foi tombada como patrimônio nacional pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Em Poço Redondo, sertão do Estado, o destaque é para as rendas de bilro produzidas por idosas do município. Como o nome sugere, o instrumento utilizado para a execução deste tipo trabalho são os bilros, peças de madeira que não excedem a 15 cm, compostas de uma haste com a extremidade em forma de bola.

Palha

Sergipe tem uma rica produção de artesanato de palha, que se concentra principalmente nos municípios de Brejo Grande, Pacatuba e Pirambu, localizados no litoral do Estado. Nessa região, é possível encontrar o material em abundância, tendo em vista a riqueza da matéria-prima, extraída de coqueirais.

Com mãos hábeis, os artesãos traçam a palha, que aos poucos vai tomando formas variadas e originando cestos, chapéus, bolsas, abanadores, entre outras peças. A precisão de um trançado que impressiona os visitantes!

Cerâmica

O Município de Santana do São Francisco, antigo Carrapicho, é considerado a capital sergipana do barro por ter a produção de cerâmica como sua principal atividade econômica. É difícil encontrar um fundo de quintal onde os moradores não fabriquem peças de barro!

Alguns artesãos utilizam a técnica das mãos, que fortalece a característica de rusticidade. Outros, se inspiram na cultura indígena, tornando suas peças ainda mais belas e exclusivas.

Os principais artesãos do Estado são: Beto Pezão, Cachoba, Cristina Francisca Pires, Zé de Flora, Edilson Fortes e Pedro das Pedras, situados em Santana do São Francisco, além de Nem, que desenvolve sua produção em Itabaianinha. Essas mãos talentosas na argila e no barro fazem nascer belas esculturas.

Madeira

No artesanato em madeira destaca-se Cícero Alves dos Santos, o Véio. O trabalho de galhos retorcidos de mulungu ou jurema, presentes em abundância na região da caatinga, são transformados em tótens, carrancas, animais e figuras humanas, que são expostas um museu a céu aberto no sítio “SóArte”, localizado no município de Nossa Senhora da Glória, alto sertão sergipano. Suas esculturas são despojadas, rústicas e de vigorosa expressividade.

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Artesanato alternativo

Não é só com material tradicional que se produz artesanato no Estado. No Município de Cumbe, existe o primeiro grupo de produção de papel reciclado, conhecido como “Tudo Encaixa”. O trabalho coletivo prioriza a reutilização das sobras de papel das instituições públicas, incluindo revistas e jornais velhos, que são transformados em objetos utilitários e decorativos. As peças elaboradas pelo grupo de artesãos de Cumbe chamam a atenção do consumidor pela criatividade, baixo preço e boa qualidade.

As bonecas de pano, confeccionadas à mão por um grupo de idosas no Município de Nossa Senhora das Dores, também têm destaque. A variedade de tipos, modelos e cores se transformam em diversos personagens do cotidiano do agreste sergipano, como Lampião e Maria Bonita, vaqueiros e casal de noivos.

Tudo anotado? Então tá bom! Te vejo por aqui! E até a próxima leitura.

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