Laranjeiras: uma experiência histórica em Sergipe

Laranjeiras: uma experiência histórica em Sergipe

Quem é apaixonado por igrejas antigas não pode ficar de fora do passeio pelas cidades históricas de Sergipe. E uma das principais delas é Laranjeiras, a 27 quilômetros de Aracaju!

Durante o trajeto, a primeira parada deve ser a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, uma construção feita pelos jesuítas no século XVIII, que, segundo os habitantes locais, era ligada por um túnel à gruta da Pedra Furada, um dos principais pontos turísticos do local, de beleza natural ímpar. Ainda sob a ótica barroca, encante-se com a arquitetura da igreja de Nossa Senhora do Rosário e da capela de Bom Jesus dos Navegantes.

Mercado Municipal

Com ares góticos, o mercado municipal da cidade de Laranjeiras está localizado na região centro-oeste de Sergipe, a 21 km da capital Aracaju. Cercado por uma feira que começa às quatro horas da manhã, seu comércio é intenso (influência de quando Laranjeiras recebeu a primeira alfândega do Estado) e oferece desde carnes e crustáceos até temperos típicos.

Nos arredores da Praça Samuel Oliveira, também vale a pena conferir o trabalho das bordadeiras de renda Irlandesa, cujas peças demoram, em média, trinta dias para ser confeccionadas.

Berço da cultura sergipana, Laranjeiras é rica em arte e manifestações culturais, conservando a memória do passado. Assim, o Lambe-sujos X Caboclinhos de Laranjeiras relembra a luta pela liberdade, e os grupos de Pastoril e Reisados festejam o nascimento de Jesus-menino.

Uma grande quantidade de grupos folclóricos originais mantém vivas as tradições populares. Uma verdadeira explosão de cores e sons expressos em criativas cantigas, belíssimas danças e encenações. A riqueza de demonstrações da cultura sergipana permite ao visitante e aos estudiosos a oportunidade de conhecer a arte e a festividade do povo dessa terra. Estas celebrações festivas ficam mais intensas no decorrer do ciclo natalino, nos meses que circundam as datas comemorativas do nascimento de Jesus e das festas dos Santos Reis, e no ciclo junino, marcado pelas festas de colheita e devoção aos santos Santo Antônio, São João e São Pedro.

O folclore sergipano é parte do patrimônio imaterial do Estado e demonstra a capacidade criativa de seu povo em perpetuar a sua arte de brincar, cantar, dançar e representar, recriando suas tradições.

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Taieiras

É um grupo formado por mulheres que integram os festejos do Dia de Reis, em Laranjeiras. Tem características religiosas e profanas e reverencia dois santos que eram fortemente louvados pelos escravos, São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Os adereços e trajes, utilizados nessa celebração, chamam a atenção pelas cores vivas do vermelho, branco, azul e amarelo. Todo ano, no início do mês de janeiro, a rainha da Taieira é coroada numa bela cerimônia de sons e sincretismo.

Reisado

É a celebração que encena a chegada dos reis magos e tem como principal finalidade louvar o menino Jesus. O bailado e a alegria, representados pelo grupo, formam um teatro contagiante. Essa manifestação acontece nas cidades históricas de Laranjeiras, São Cristóvão e em Japaratuba. No município de Pirambu, encontra-se o Reisado do Povoado Marimbondo, comandado pelo brincante Sabal, um dos mais animados do Estado.

Chegança

Manifestação popular que apresenta temas ligados à vida do mar e às lutas entre cristãos e mouros. Seus personagens trajam-se de marujos, que representam a marinha com seus títulos hierárquicos. Para a encenação dos personagens mouros, alguns integrantes do grupo incorporam os reis, embaixadores e príncipes de séculos passados. O balé, mantido com rica coreografia e música cantada e instrumental, compõe várias jornadas que contam e expressam a história que esse manifesto propõe.

Dança de São Gonçalo

Dança ritual realizada só por homens em homenagem a São Gonçalo. Segundo a crença, o santo da religião católica, quando jovem, era farrista, gostava de tocar viola e dançar com as prostitutas para impedi-las de pecar. Em outros relatos históricos, São Gonçalo era um marinheiro que conseguia atrair peixes com seus cantos e toques de viola, pescá-los e distribuí-los aos pobres.

Os homens que dançam ao redor do violeiro são conhecidos como “as figuras”, e representam as mulheres que deixavam a prostituição para dançar ao redor do santo. Por isso, o grupo se veste à base de indumentária e adornos femininos, à exceção do “patrão” que veste traje de marinheiro.

Cacumbi

Dança de origem africana, com a participação somente de homens, que tocam instrumentos rítmicos como ganzá, pandeiro, reco-reco, caixas e onça (espécie de cuíca mais rústica), e bailam em círculo com movimentos sincronizados. Na época de Reis, em Japaratuba, coroam-se reis e rainhas do Cacumbi antes do desfile dos grupos folclóricos que saem pelas ruas da cidade fazendo uma grande festa.

Essa manifestação pode ser vista no mês de janeiro nas cidades de Laranjeiras, Japaratuba e Japoatã.

Lambe-Sujos e Caboclinhos

É um dos maiores teatros ao ar livre da cultura popular sergipana. Sua apresentação, que dura mais de um dia, é realizada em vários pontos da cidade de Laranjeiras. Encena-se uma grande batalha entre os negros que fugiam para os quilombos, representados pelos lambe-sujos, e os índios contratados pelos senhores locais para capturá-los, representados pelos caboclinhos.

O Lambe-Sujos é formado por uma grande quantidade de pessoas que pintam o corpo com tinta xadrez preta e melaço de cana. Seus integrantes vestem bermudas e gorros de flanela vermelha, nas mãos levam foices de madeira, instrumento de trabalho que se tornou símbolo da luta pela liberdade. Já o grupo dos Caboclinhos se veste de trajes indígenas, porta arco, flecha e cajados e se pinta com tinta xadrez vermelha.

Samba de Pareia

Festa popular também proveniente do Povoado de Mussuca, em Laranjeiras. Vários pares de mulheres dançam de forma ritmada e cadenciada em círculo, ao mesmo tempo em que o som contagiante da percussão é embalado por suas pisadas fortes no chão. O traje do grupo é um vestido de chita, chapéu de palha e chinela ou tamanco.

Parafusos

O interessante grupo conta a história dos escravos que melavam seus corpos com farinha e vestiam as anáguas de baianas para fugir pelos canaviais em direção aos quilombos. Segundo conta a história, os moradores das fazendas pensavam que eram assombrações e dessa forma os negros conseguiam fugir. Seus integrantes dançam dando giros ao redor do próprio corpo, daí a origem do nome de Parafusos.

Coco de Roda

Originária da construção das casas de taipas e da extração do coco, é uma dança circular de herança indígena. O coquista fica no centro da roda, improvisando versos com um pandeiro ou um ganzá, enquanto os demais integrantes improvisam cantando os refrãos em coro.

Bacamarteiros

É um dos grupos mais aplaudidos dentre os do ciclo junino! Apresenta-se com mais de sessenta integrantes, entre homens e mulheres, que formam um grande batalhão. Acompanhados de pífanos e vestidos com trajes que lembram os cangaceiros, suas performances incluem estrondosos tiros dados pelos próprios bacamarteiros. O povoado de Aguada, no Município de Carmópolis, é o local de origem de um dos principais grupos de bacamarteiros de Sergipe.

Pisa Pólvora

É uma manifestação própria de Estância, cidade muito rica em manifestações do ciclo junino. A batucada tem origem na dança de trabalho que acompanha o preparo da pólvora para a produção de busca-pés, barcos de fogo e fogos de artifício. A dança de homens e mulheres é ao som de ganzá, cuíca, triângulo e reco-reco, em torno de um pilão em que é feita a pólvora.

SÃO CRISTÓVÃO – PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE

Sergipe é cultura e muita história para todos os gostos! A começar por São Cristóvão, localizada a 25 km de Aracaju. A quarta cidade mais antiga do Brasil e primeira capital do Estado, abriga a Praça São Francisco, sítio histórico elevado à condição de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, onde estão localizados o Museu Histórico de Sergipe e o Museu de Arte Sacra, no interior do antigo convento de São Francisco, com acervo considerado o terceiro do Brasil em qualidade e peças datadas dos séculos XVII e XVIII.

Outro patrimônio histórico das proximidades é a Praça do Carmo. Nesta região, você poderá visitar antigas igrejas e esbaldar-se com iguarias como os delicados biscoitos “Bricelets”, produzidos por freiras beneditinas do Convento do Carmo. Para completar o passeio, nada melhor do que aventurar-se pela Casa da Queijada e experimentar um delicioso doce sem queijo, mas repleto de coco. Vale a pena conferir de perto!

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Irmã Dulce – Santa Brasileira

É em São Cristóvão que está localizado o Convento da Nossa Senhora do Carmo, onde Irmã Dulce iniciou a sua vida religiosa na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Hoje, no local, funciona também o Museu dos Ex-Votos.

O processo de beatificação e de santificação de Irmã Dulce se deu por conta do milagre da santa ocorrido em terras sergipanas, onde uma senhora sobreviveu ao parto após uma forte hemorragia. A Beata teve o seu segundo milagre reconhecido e será proclamada santa pelo Vaticano, ainda em 2019, sendo a primeira mulher nascida no Brasil com esse título.

O claustro do Convento da Ordem Terceira do Carmo foi transformado em santuário, onde estão expostos os ex-votos provenientes de graças alcançadas. A igreja e o convento da Ordem Terceira do Carmo têm estilo Barroco, com construção dada no início do século XVII. As obras foram concluídas, provavelmente, em 1766.

Ufa! Realmente Sergipe tem de um tudo! E estamos com tudo pronto pra receber você aqui. Já preparou o seu roteiro? Conte nos comentários em quais lugares a gente vai se encontrar. 🙂

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